09 dezembro, 2012

Uma fonte de sonhos

Sentimento é assim.
Sinto que as vezes exagero um pouco,
e que poucas vezes exagero um tanto.

Das coisas do coração
encontrei um menino,
ali, deitado na grama;
brincava.

no momento em que encarei-o nos olhos,
o meu coração sorriu
e tudo o que existe sorriu também.

aos pés do menino nascia uma fonte,
e de lá brotavam os meus sonhos.


ao acordar eu ainda sorria
e o meu corpo dançava.

agora já não me sinto tão só.

vou lá levar
um novo copo
bem cheio de sonhos
para a fonte do meu menino.


05 dezembro, 2012

Querer bem alguém

Quando a água do mar abraçar o seu corpo
sinta-se acolhida

Quando um vento carinhosamente afagar seus cabelos
percebe; é um cafuné que eu sonhei acordado

Quando a terra estiver firme por onde você andar
lembra do carinho que eu sinto por você

Quando o sol aquecer as maçãs do seu rosto
recebe o beijo que eu mandei de longe

28 novembro, 2012

Canção de um céu azul


Mirar
o fim de uma era
ao pé de um vulcão

Abraçar
o começo da vida
no olho de um furacão

Deixar
escorrendo o tempo
na beleza viva das canções

Esperar
que o vento sul
transforme os nossos corações.

22 novembro, 2012

Preguiça


Amanheceu.

Nasceu esta poesia no espreguiçar do corpo.

O dia escorreu.

para além da cama, poesia viveu preguiça

Adiantado o relógio.

poesia nasceu, cresceu.

E foi morrer nos lábios cerrados

19 novembro, 2012

Brigadeiro de panela

Bastou passar por mim devagar acenando e sorrindo com o seu vestido.
Menina você ateou fogo na minha pele, inundou todas as expectativas.

Bastou passar por mim devagar cantando sua voz de chuva de primavera.
Eriçou cada pelo do corpo, e todo pensamento, derreteu o céu nos lábios.

Bastou passar por mim devagar com essa boca de chocolate meio amargo.
Que desassossêgo! e, eu nem precisei de uma panela de brigadeiro;

Meu coração declarou alegria múltipla dos órgãos.

Bastou você passar devagar.

16 novembro, 2012

Sonhei com você (uma sugestão poética)

Eu quero tanto os teus olhos por perto agora
pra gente ficar fazendo nada com a dança das horas,
cheirando pescoço, desenhando corpos brilhantes na retina
mordendo pedaços; brincando de carinhos na eternidade do edredom.

Eita chuva perfeita pra esquecer o despertador e preguiçar mais um pouquinho,
foi isso, coloquei o celular no soneca e dormi mais uns quinze minutos antes de levantar;
assim sonhei contigo dançando no meu corpo o teu abraço, a gente se conhecendo de perto.

Quanto desejo havia ali,
nas palmas das mãos,
nos fios de cabelo,
em cada ossinho das tuas pernas.

Foram 15 minutos de soneca e uma vida inteira sonhando.

Menina, eu te quero hoje, amanhã e depois.
E tem mais, sugiro que você venha aqui.
Que eu vou gostar demais.

11 novembro, 2012

A muleta dos vermes

Saudosa maloca, maloca querida,
                                                  [ salve família!
esperança é o nome da estação.

Nesse teatro cotidiano espetacular
eles querem nosso sangue, nosso suor
O desrespeito é constante e amordaçado
incutido na necessidade do indivíduo mordaz

Sou capaz de dissimular o sorriso de aprovação
um sorriso falso que inunda o sertão; não pelo meio;
mas caminha, desliza, respira e serpenteia pela margem

Um senhor verme de olhar indignado observa com desprezo.
Tudo isto que a sua muleta não pode comprar eu tenho de sobra,
talvez por isso você me tome por desajustado, músico, maloqueiro

Se não entendeu o recado, rebobina a fita, liga a tecla sap e assiste de novo.

Desta vez eu não vou dissimular o meu sorriso; este é sincero, da alma, da fonte.



07 novembro, 2012

Impermanência e a poesia

São dias onde o carma se apresenta nítido, líquido
e o véu de Maya se dissipa para dar lugar à luz
Querer, tem desejo e bastante suco gástrico
nada, ninguém, nenhuma voz, somente paz

Será talvez um traço reto atravessando o meu caderno?

Impermanência fascina tanto quanto aos 7 anos de idade
quando ganhei o meu primeiro video-game de presente

- Continuo me deliciando com estas curvas abruptas -

(Des)cobertas escolhas de marfim lustroso e caro
sopesadas em um banquete para Deuses e anjos.

Sim, explique-se até extenuar qualquer possibilidade!
Me apetece o que é do entendimento do coração;
e se mesmo assim não houver conciliação?
Relaxe. Aquele sorriso, aquele
dos sete anos de idade
vive aqui comigo.

06 novembro, 2012

Canto para todos os cantos

Canto ontem para entregar minhas promessas ao fogo
Corro entregue para despejar minhas posses ao vento
Vivo despido para despertar de minhas vidas na terra
Morrerei acordado para confiar na sabedoria das águas

30 outubro, 2012

Graves frequências

A morte levou consigo
coisas que jamais verei novamente
sabores que nunca mais serão os mesmos
lugares distantes onde nossos pés não pisaram.

Onde está a inspiração?
Aquela que move, que cria?

A expectativa é algoz da coragem, agora que toda palavra é carregada de significado e energia
e mesmo o medo intrínseco dos 'eus' tomarem o controle da situação
já não pode ser arrefecido pela confiança, irmã mais velha da desculpa e dos cubos de gelo.

(aqui é simples, gostoso e natural)
entrega
é um barril de nutella
ou uma caixa de paçocas

(aqui é onde estou só novamente)
entrego
também as vísceras de cada monstro
nocauteado em minha alma

apesar de estar cansado eu continuo a caminhar para onde (D)eus quiser.

22 outubro, 2012

Pretinha

Dorme mais um pouquinho
deixa que eu preparo um café
quando estiver pronto eu te acordo
pra gente desenhar essa manhã na toalha

Acende um jardim pra me ensinar de vez do que nós somos feitos

Eu quero você por perto,
por cima, de conchinha

Um passeio alucinado é esse teu cheiro de hortelã molhada de sereno depois de um dia ensolarado.
Pretinha, quando chegar aquele fim de tarde faz um bolo pra gente só pra eu derreter no seu colo.

20 setembro, 2012

Uma casa no deserto

Quatro paredes sem janelas. Apenas uma porta.
É pra lá que eu vou quando preciso demolir
a descrença e todos os meus demônios

Esperava o que?
Talvez um sinal, uma palavra, qualquer sinal, qualquer palavra.
(O tempo escorria pela rachadura na parede)

Procurava o que?
Talvez um pedido, cinco letras, qualquer pedido, qualquer letra.
(O tempo rachava a frágil parede)

Destinado a encontrar o vazio,
Este imenso infinito de nada
onde o amor não tem espaço
e os cactos crescem viçosos

Chico

17 setembro, 2012

Gratidão ao velho Hazz - (Sonhos)

Meu bom amigo Hazz.
Este sentimento assusta quando vem?
Quero dizer quando chega assim desse jeito;
inundando a cidade e arrastando o sol pela gola da camisa?
.
Sabes por que te digo isto?
Porque Sofia é prova de sua existência.
não apenas ela, mas também presentes de lá
de lugares onde estivemos despertos de sua ausência

Me pergunto se os Dragões vivem algo semelhante...

Quando digo que é assustador não significa que sou eu.
Sim, são os outros! Mas ainda bem que tenho você.
Pois confesso; naquele instante pensei em desistir.

Foi por pouco, e quase me deixo 'quedar'
Lembrei de suas palavras e fechei os olhos
Voltei ao jardim, onde minhas bolas de gude brincavam sem gravidade
então eu pude dançar, sem tempo nem espaço a nossa forma de amar.

Francisco de Assis

16 setembro, 2012

O abrupto dos ventos

Experimentei calçar os teus sapatos e refazer meus passos
e de nada adiantou,
Pedalei em direção ao sol as 4h da manhã ouvindo Stones
foi reconfortante,
Cheguei até o porto e meu barco ali estava me esperando
foi uma bela vista,
Assim um pescador me avisou: - Vem tempestade pela frente!
icei a vela e parti,
Então senti a primeira rajada de vento velejando a seis nós
não senti medo,

apenas uma tristeza de quem partiu rumo a tempestade.


08 setembro, 2012

(Des)encaixe

Minhas mãos desenham no ar o seu corpo
procurando o encaixe perfeito das tuas escápulas

Meu peito insiste em guardar um pedaço de nuvem
daqueles que parecem algodão doce

Mas no olhar é que se vê o quanto existe
de ácido e corrosivo, de corpo atravessado

Os pés hesitam em refazer caminhos
os nós dos dedos e cada palavra dita

Olho para as minhas mãos e abraço esta condição!
O que eu poderia temer deste fascínio?

Acho que foi assim, entendendo um pouco de nada
neste momento ainda mais,
vejo o quanto entendo,
um pouco de nada




06 setembro, 2012

Palavras de um Dragão (Hazz)

E quando tudo isso parecer estranho
esse sorriso transbordará a tua morada
E quando tudo isso vier a te nocautear
esse peito amortecerá todos os golpes
E quando tudo isso não fizer mais sentido
esse coração receberá o seu espírito, luz.

19 agosto, 2012

Sem saber pra onde ir

Um tanto esse novo quanto expresso em pedaços de gente
Do que exatamente nós precisamos para acabar com isso?

Vazio, inóspito, impregnado de vácuo este coração não anseia,
apenas bate e bate a "percepção rotativa" de Charles Mingus,
destilando batidas dentro do circulo mesmo sabendo e sentindo
que o pulso está ali, que a rítmica esta ali, que a paixão está ali

Eu vejo crianças famintas através do vidro do automóvel
o sol pinta a cor da desigualdade no rosto daquela menina
A vida acontece e revela esta bigorna presa ao calcanhar
Seremos capazes de enxergar com os olhos do coração?

Francisco de Assis
de mil em mil rosas
não conto mais espinhos
ainda lembro
esquecer não posso
tudo é caminho
da rosa que põe cor na vida
de branco a vermelho
dou passos entre dias
recolho meus olhos
fechando a noite
fazendo rimas.

Flor do cerrado

24 julho, 2012

Trinta Voltas

A primeira a chegar foi uma jabuticabeira
dividindo espaço com os antigos araçás
demorou dar frutos, mas cresceu forte

Logo veio bromélia, laranjeira, olhos-de-mulata, garapuvu
borboleta, alecrim, hortelã, ipê, araucária e gralha-azul
joão-de-barro, comigo-ninguém-pode, goiabeira, capim-limão
rosa branca, arruda, violeta, pimenta-de-cheiro, manjericão

Os pais semearam sonhos com brilho de jardim nos olhos
As crianças fizeram parquinho e cercado com pedrinhas

Este jardim nasceu ali,
cresceu ali, no coração deste rapaz.

Francisco de Assis

19 julho, 2012

Café da manhã

Está presente aquele olhar, preso no redemoinho do liquidificador.
Meias lembranças, alguns momentos inteiros e outros ainda inéditos
Ao mesmo tempo tão vivos no mundo etéreo dos sonhos e das promessas
que quase posso tocá-los na goma da tapioca que esquenta na frigideira

Assim como o bobo sonha do alto do edifício, rabiscando versos no caderno
Eu rasgo os papéis para (re)escrever aquilo que agora estou deste momento,

mesmo em face da ausência,
de toda a mesma indiferença,
olho para trás, olho para frente e sinto chegar um sorriso de infância
e com ele sempre vem a tão esperada gargalhada que me toma.

E novamente eu olho para o chão.
Alguma coisa mudou em mim
Alguma coisa mudou em nós.

"...Por sempre andar, andar, sem nunca parar pequenas coisas vão ficando para trás..." ¹


Chico

1 -  Trecho da música  Por sempre andar dos Paralamas do Sucesso